ARGUMENTOS A FAVOR;
Muitas pessoas desejariam abreviar uma vida que se teria tornado insustentável (unbearable): "Em muitos sistemas legislativos seria ilegal proporcionar a uma pessoa que sofre uma morte desprovida de dor, enquanto que se um gato ou um cão estivesse na mesma situação, o que seria ilegal seria não o fazer" "eutanásia voluntária", isto é, feita a pedido da pessoa que deseja a morte, a "eutanásia involuntária", realizada sem o consentimento do enfermo consciente, mas para lhe evitar sofrimentos intoleráveis, e a "eutanásia não-voluntária", aquela realizada em uma pessoa que não está em condições de optar (recém-nascidos, doentes mentais, comatosos) (2). Somos contrários à eutanásia, mas isso não nos isenta do exame objetivo das razões e objeções pertinentes a cada situação, bem como das outras opiniões (papel do moralista). Vamos focalizar essencialmente a situação da "eutanásia voluntária" de Singer. Diante da condenação, bastante consensual, das eutanásias "involuntárias" e "não-voluntárias", o problema com elas é:
- discernir, talvez preventivamente, se o caso não recomendaria a omissão de meios artificiais de prolongamento de vida (caso estes procedimentos sejam muito onerosos ou problemáticos, ou caso a sobrevivência apresente prognóstico tão sombrio que o mal menor seria nela não investir). Nestes casos, no quadro das atuais discussões, hesitar-se-ia usar o termo "eutanásia" (ainda que ele se justificasse literalmente);
- Discernir, a posteriori, se a pretendida eutanásia não constituiria um homicídio punível, discernimento nem sempre fácil.
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